Produtores que adotam gestão técnica atravessam ciclo pecuário com maior margem
Produtores que adotam gestão técnica atravessam ciclo pecuário com maior margem
Em um momento de transição do ciclo pecuário, marcado pela passagem gradual da fase de baixa para a fase de alta, as decisões tomadas dentro da porteira hoje terão impacto direto no médio e longo prazo. Para apoiar o produtor rural e evitar escolhas por impulso, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS oferece suporte no planejamento, na análise de mercado e na construção de sistemas produtivos mais eficientes e resilientes.
Na pecuária de corte, o tempo é um fator decisivo. Para o invernista de fêmeas, os efeitos costumam ser percebidos cerca de um ano depois, enquanto na atividade de cria esse prazo pode ultrapassar dois anos. Mesmo assim, ainda é comum que o produtor baseie suas escolhas apenas no cenário do momento, sem levar em conta a dinâmica do ciclo pecuário.
De acordo com o coordenador da ATeG Bovinocultura de Corte do Senar/MS, Fabiano Pessatti, compreender essa lógica é fundamental para reduzir riscos. “Quando o produtor toma decisões olhando apenas para o ‘hoje’, sem considerar o ciclo pecuário, ele acaba assumindo riscos elevados e, muitas vezes, comprometendo os resultados futuros da propriedade”, explica.
A dinâmica do ciclo segue a lei da oferta e da demanda e tem no preço do bezerro seu principal gatilho. A escassez de bezerros eleva preços e margens da cria, estimulando a retenção de fêmeas. Esse movimento reduz o abate, restringe a oferta de animais e contribui, com o tempo, para a valorização da arroba do boi gordo. Na sequência, o aumento da oferta futura de bezerros pressiona seus preços, dando início ao ciclo de baixa e reiniciando todo o processo.
Decisões reativas aumentam riscos e impactam nos resultados
Quando a condução do sistema produtivo ocorre de forma reativa, baseada apenas no instinto ou em leituras superficiais do mercado, sem estratégia definida, os impactos negativos tendem a aparecer de forma silenciosa. Dados do benchmarking da ATeG Bovinocultura de Corte do Senar/MS, referentes ao ano pecuário 2023/2024 – período considerado um dos momentos mais desafiadores do atual ciclo de baixa da pecuária - evidenciam que, mesmo entre propriedades assistidas, o desempenho produtivo e econômico varia de acordo com o nível de gestão e de adoção das recomendações técnicas.
Em uma atitude reativa, as propriedades acompanhadas apresentaram, em média, redução de 1,59 arroba por hectare (@/ha) no estoque. Nos sistemas de recria e engorda, as perdas foram ainda mais expressivas, com médias de 7,46 @/ha e 4,71 @/ha, respectivamente. Na prática, muitos produtores acabaram comercializando animais adquiridos a custos elevados justamente no menor preço médio da arroba registrado nos últimos três anos, muitas vezes com o objetivo de manter o fluxo de caixa da fazenda no azul.
“A ausência de planejamento e de análise estruturada do sistema produtivo intensifica esse problema. Quando o produtor não utiliza plenamente as forças da propriedade, deixa de corrigir gargalos, perde oportunidades e se expõe a ameaças tanto nos momentos de alta quanto nos de baixa do ciclo. Esse processo, muitas vezes gradual, leva à descapitalização da atividade, frequentemente atribuída apenas a fatores externos”, observa Pessatti.
As fazendas com margem bruta positiva, identificadas no levantamento, apresentaram taxa de desmama média de 67,36%, período médio de estação de monta de 7,67 meses e produção de 139,76 quilos de bezerro por matriz exposta, indicadores significativamente superiores aos observados nas propriedades com margem bruta negativa, que registraram taxa de desmama de 57,99% e produção de 114,73 quilos por matriz. Entre as propriedades acompanhadas, há realidades distintas, desde fazendas com estação de monta consolidada, de cerca de três meses, até aquelas que iniciaram a adoção da prática recentemente.
A diferença também se reflete no resultado econômico, enquanto os sistemas mais eficientes alcançaram margem bruta média de R$ 901,36 por hectare ao ano, aqueles com menor eficiência apresentaram resultado de R$ 459,98 por hectare ao ano. Em uma base que reúne mais de 580 mil hectares de pastagens e 740 mil cabeças, o benchmarking demonstra que o acompanhamento técnico e gerencial permite identificar gargalos, orientar correções e apoiar o produtor na transição de sistemas deficitários para modelos produtivos mais eficientes e rentáveis ao longo do ciclo pecuário.

Dados do benchmarking da ATeG Bovinocultura de Corte do Senar/MS
É nesse contexto que a Assistência Técnica e Gerencial se torna um diferencial estratégico. Por meio da ATeG, os técnicos de campo do Senar/MS auxiliam o produtor na realização de diagnósticos completos da propriedade, considerando histórico técnico, produtivo e econômico.
“A partir desse diagnóstico, são definidas metas alinhadas aos objetivos do produtor e construído um plano de ação coerente com a realidade do sistema produtivo. Isso permite que a propriedade se posicione de forma mais estratégica ao longo do ciclo pecuário”, destaca o coordenador.
A metodologia da ATeG incentiva a tomada de decisão baseada em números, indicadores e estratégias, sem desconsiderar a experiência do produtor. Custos de produção, produtividade, desempenho zootécnico e resultados financeiros passam a orientar escolhas mais conscientes, reduzindo riscos e aumentando a rentabilidade da atividade. Dessa forma, o produtor deixa de reagir aos movimentos do mercado e passa a se posicionar de forma estratégica diante do ciclo pecuário.
Por meio da ATeG, o Senar/MS abre portas para novas conquistas, promovendo sustentabilidade e fortalecendo a permanência do produtor no campo. Para saber mais, procure o Sindicato Rural do seu município.
Assessoria de Imprensa do Sistema Famasul – Ana Palma



















